sábado, 25 de julho de 2015

Professora de Enfermagem morre após tentar parto humanizado por 48 horas e se submeter a cesariana.

Mariana de Oliveira era especialista em Saúde da Mulher
Por UOL  / Estadão Conteúdo

A professora de enfermagem da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), Mariana de Oliveira Fonseca Machado, de 30 anos, morreu na terça-feira, 21, após tentar fazer um parto humanizado em sua casa, em São Carlos, no interior de São Paulo, e ter de ser submetida, em seguida, a uma cesariana.

Mariana, que também era especialista em Saúde da Mulher e vice coordenadora do curso de enfermagem da universidade, contratou uma doula (assistente de parto) e tentou por 48 horas dar à luz na tentativa de fazer um parto humanizado, mas não conseguiu pois teria apresentado dificuldades e precisou ser levada para a Casa de Saúde e Maternidade de São Carlos, onde passou por uma cesariana. A criança, uma menina, nasceu saudável, no dia 11 de julho.

A professora não conseguiu se recuperar e, por causa da gravidade de suas condições clínicas após a cirurgia, teve de ser internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da Casa de Saúde. Dias depois, com o agravamento de seu estado de saúde, seu marido, um médico anestesista, pediu a transferência de Mariana para o Hospital de Base (HB) de São José do Rio Preto. Segundo o HB, ela deu entrada “em estado muito grave” em 18 de julho, e veio a falecer na última terça-feira, 21.

O HB informou que a família não permitiu divulgar a situação clínica da paciente, cujo estado de saúde foi deteriorando no decorrer dos dias de internação. A causa da morte será confirmada em 60 dias após a conclusão dos exames de necropsia pelo Instituto Médico Legal (IML) de São José do Rio Preto, para onde o corpo foi levado.

O departamento de Enfermagem da Ufscar lançou uma nota afirmando que não houve relação entre o parto humanizado e a morte da professora. Segundo o texto, divulgado nesta sexta (leia na íntegra abaixo), Mariana chegou ao hospital em “perfeitas condições de saúde” e foi capaz de amamentar. “Infelizmente, preconceitos em relação ao parto natural e a “cultura de cesariana” brasileira levaram a divulgações equivocadas sobre o caso. Dados científicos indicam que a cesariana aumenta o risco de morte materna em 3-5 vezes, comparada ao parto normal. Dentre todas as causas de morte materna a hemorragia é a mais frequente delas.”

Como a família não permitiu que os hospitais divulgassem dados do atendimento de Mariana, a natureza e a causa das complicações não foram reveladas, assim como o nome da doula que a acompanhou. No entanto, já se sabe que ela teria sofrido uma parada cardiorrespiratória.
Mariana foi enterrada na cidade de Patrocínio, no interior de Minas Gerais, onde moram seus familiares, que não quiseram falar sobre o caso.

A Casa de Saúde divulgou nota afirmando que o parto foi realizado “sem nenhuma intercorrência”. “No entanto, no processo pós-cirúrgico, devido ao quadro clínico da paciente, foi encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva -UTI Adultos”, onde permaneceu internada até dia 18, “quando foi transferida, a pedido da família, para o Hospital de Base de São José do Rio Preto”.

Em nota, o Departamento de Enfermagem da Ufscar informou que  Mariana se dirigiu ao hospital “em perfeito estado de saúde”. “Algumas horas depois, Mariana foi submetida à cesariana, tendo a oportunidade de pegar sua filha no colo e amamentá-la”, continua a nota. “Posteriormente, foi encaminhada ao quarto junto com sua filha e, poucas horas depois, iniciou um quadro de complicações, que resultou no trágico desfecho”.
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