segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Ah, Carol Mota, porque você se foi? Muita dor e saudade... E agora, quem vai fazer minha escova? Saudade muita. Vai com Deus. Por Ana Clarisse Arruda Pereira, via Facebook.

'A morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada (o), está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. 

Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer. Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. 

Passou madrugadas sem dormir para estudar para o vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheia (o) de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. Aí, de uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na 'freeway', numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis. 

Qual é? Morrer é um clichê. Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota (o) mais linda (o), sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. 

Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. 

Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Isso não se faz... Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça'. (Texto de Pedro Bial). 

Ah,  Carol Mota, porque você se foi? Muita dor e saudade... E agora, quem vai fazer minha escova? (a franja só você acertava!); quem vai cortar 'só as pontinhas'? Amiga querida, pessoa iluminada, profissional dedicada, mãe exemplar, saiba que, no que depender de mim, seus príncipes Augusto e Arthur serão amigos para sempre do meu Mateus. Vai em paz, querida... 

Saudade muita. Vai com Deus. 😥 Minha solidariedade aos queridos Hanna Mota (irmã), Heliane Mota (mãe), Dr. Herbert Mota (tio/pai),  Heloisa Mota (tia), Hildegard Mota (tia), Tutu (marido), João Arthur e João Augusto (filhos) e aos demais dessa família tão querida nesse momento de tanta dor e saudade. Por Ana Clarisse Arruda Pereira, via Facebook.
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