domingo, 5 de março de 2017

Centenas de pessoas pedem justiça por João Victor em frente ao Habib’s

“Meu filho era humilde igual eu, catador de lixo. Foi espancado por pedir um real para comer um lanche”, diz pai do jovem, que morreu no domingo (26/02), após ser perseguido por funcionários do estabelecimento.

Cerca de 300 pessoas reuniram-se em frente ao Habib’s da Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte de São Paulo, nesta quinta-feira (02/03), para pedir investigação e justiça para o caso João Victor Souza de Carvalho, que morreu na noite de domingo (26/02) na frente da lanchonete.  “Ele teve uma morte que não se faz nem com animal. 

Meu filho era humilde igual eu, catador de lixo. Ele pedia, mas não roubava nada de ninguém. O moleque foi espancado por causa que estava pedindo um real para comer um lanche”, disse, indignado, o pai do adolescente, Marcelo Fernandes de Carvalho, de 42 anos. 
O filho vivia há oito anos com ele, que trabalha como catador de material reciclável. A concentração de manifestantes na altura do número 5015 da Avenida Itaberaba teve início por volta das 17h.  

Às 19h, horário previsto para o início do ato, a Avenida Deputado Cândido Sampaio, ao lado do Habib’s, foi fechada pelos manifestantes. Três viaturas da Polícia Militar acompanharam o ato até 20h40, momento em que chegaram mais quatro viaturas.  

“Agora a polícia dá a cara, mas na hora em que mataram o menino eles vieram uma hora depois. Eu quero justiça. Eles [seguranças do Habib’s] vão pagar”, disse Alini Cardoso, 28 anos, prima de João Victor, durante o ato, que terminou por volta das 21h.  
Jovem morto após perseguição de seguranças do Habib’s foi ameaçado, diz pai da vítima  De acordo com testemunhas, o menino estava pedindo dinheiro do lado de fora da lanchonete, quando começou a ser perseguido por um segurança e o gerente do estabelecimento.  

Uma catadora de material reciclável, amiga da família de João Victor, disse à Polícia Civil que depois de correr alguns metros na tentativa de fugir dos funcionários da lanchonete, estes agarraram o jovem pelo pescoço e deram-lhe um “soco na cabeça”.
Segundo Alini, “um administrador do Habib’s disse que tinha 32 câmeras e só ia liberar cinco“.  Outro lado  Procurada pela Ponte Jornalismo na noite desta quinta-feira, a assessoria de imprensa do Habib’s enviou a seguinte nota:  

“O Habib’s informa que, desde o ocorrido, vem colaborando na busca de informações que ajudem as autoridades a esclarecer o caso. Até o momento, as informações oficiais são o Atestado Médico de Óbito que cita que a causa da morte foi por infarto do miocárdio e o Boletim de Ocorrência que aponta a ausência de sinais de agressão.  

Diante das imagens divulgadas pela imprensa hoje, comunica que decidiu afastar os colaboradores envolvidos até que tudo seja elucidado.  Mais do que qualquer direcionamento corporativo, esta é uma questão de princípio humano. 

A empresa esclarece que repudia todo e qualquer ato de violência física ou moral realizada por qualquer pessoa, por qualquer que seja o motivo e está bastante abalada com tudo o que ocorreu.  

O Habib’s, por meio de seus representantes, informa que manterá contato com a família no intuito de auxiliar no que for possível.  Assim como toda sociedade, o Habib’s aguarda o laudo completo do IML que esclarecerá o ocorrido”.  

Carta Caital
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