terça-feira, 29 de setembro de 2020

Escultor homenageia Zila Mamede e presenteia governadora com réplica de obra gigante

Artista conhecido por suas obras monumentais, o escultor Guaraci Gabriel foi recebido, nesta terça-feira (29), pela governadora Fátima Bezerra em seu gabinete, na Governadoria, e a presenteou com uma obra em homenagem à poeta e bibliotecária Zila Mamede. A pequena escultura em ferro é o estudo da grande estátua que está sendo preparada, por meio de uma parceria com a Fundação José Augusto, para ser instalada não por acaso na cidade de Parelhas, que é vizinha à paraibana Nova Palmeira, cidade natal da escritora e da chefe do Executivo estadual.   

Elas nasceram na mesma cidade, têm laços de sangue e migraram para o Rio Grande do Norte ainda jovens, onde fixaram raízes. ”É uma honra receber esta escultura que simboliza tão bem a nossa Zila, que nasceu no mesmo chão que eu e também foi acolhida aqui neste estado. Ela foi reconhecida como umas das maiores poetas do RN e uma das maiores do Brasil, tendo sido reconhecida e citada por poetas da importância de Carlos Drummond”, disse Fátima.   

A governadora enalteceu a conterrânea não apenas por laços afetivos e vínculo de parentesco, mas sobretudo pela grandiosidade da sua obra e o legado deixado por Zila (1928-1985) na organização da biblioteca da UFRN, que leva seu nome. “Guaraci, só posso lhe parabenizar e agradecer pela sua sensibilidade. Em breve, vamos combinar um sarau em homenagem a esta grande poeta”, afirmou. Em seguida, ela leu o poema O Arado, que dá nome ao terceiro livro de poemas de Zila Mamede, reeditado ano passado pela FJA em comemoração aos 60 anos da primeira edição.   

Inspirado no monumento à Mãe Pátria, instalado em Kiev, na Rússia, Guaraci Gabriel fez sua versão de Zila Mamede e a chamou de Deusa da Primavera. A estátua gigante terá quatro metros de altura. “Eu não a conheci pessoalmente, cheguei a vê-la umas duas vezes na biblioteca. E quando me deparei com sua obra, por intermédio de Crispiniano [Neto] fiquei encantado com a firmeza de suas palavras, a verdade contida nos seus versos”, explicou o artista, natural de São Pedro do Potengi.   

Pintor e escultor, desde a década de 80 utiliza sucatas como matéria-prima para suas obras. Ele já participou de quatro bienais internacionais em países como Cuba, França e Áustria, sendo conhecido mundialmente em meio aos escultores monumentais. A instalação Guerra e Paz, por exemplo, de 1998, consta no Guiness Book, o Livro dos Recordes, como a maior escultura já feita em material reciclado no mundo inteiro. O artista usou destroços de aeronaves caças F5, uma caldeira, tubos de ferro e ossos. A exposição “Primavera Parabólica Secular”, na Funcarte, foi o marco de quando o artista começou a produzir grandes esculturas de metal.   

A visita de Guaraci à governadora foi mediada pelo diretor-presidente da FJA Crispiniano Neto, que antecipou um projeto de instalar estátuas em diversas cidades do RN em homenagem a artistas potiguares. Ele citou Elino Julião (Timbaúba dos Batistas), Felinto Lúcio e Tonheca Dantas (Carnaúba dos Dantas), Auta de Souza e Ademilde Fonseca (Macaíba), Chico Antônio (Pedro Velho), dentre outros. “É importante que a população norte-rio-grandense conheça e se depare com esses grandes nomes da nossa cultura”, justificou.   

Presente ao encontro, o vice-governador Antenor Roberto enalteceu o gesto do artista e da FJA, em valorizar a história e o legado de Zila e de outros artistas que construíram sua história no Rio Grande do Norte. “Isso demonstra o compromisso do Estado em resgatar e valorizar a nossa história para que esse conhecimento chegue às novas gerações”, declarou. Também estavam no encontro a secretária adjunta do Gabinete Civil Socorro Batista e a educadora popular Maria do Carmo da Silva, integrante da Câmara Setorial do Livro.    

ZILA MAMEDE 

Zila Mamede nasceu em 1928, na Paraíba, sendo filha de pai natural de Caicó-RN e neta de avô materno natural do Jardim do Seridó. Veio morar no RN ainda com 5 anos de idade, na cidade de Currais Novos, chegando também a morar na capital.  Ela começou a escrever aos 21 anos, publicando seis livros de poesia: Rosa de Pedra (1958), Salinas (1958), O Arado (1959), Exercício da palavra (1975), Corpo a Corpo (1978) e Navegos (poesia reunida 1953-1978).   

A escritora é autora de estudos bibliográficos sobre Câmara Cascudo e João Cabral de Melo Neto (escritor pernambucano), que a incluiu entre as maiores poetas do país. Formada em biblioteconomia, organizou a Biblioteca Central Zila Mamede, da UFRN (e seu anexo), que depois recebeu o nome da poetisa. Também recebe seu nome a Escola Estadual Professora Zila Mamede, no conjunto Pajuçara, em Natal. Em 2019, sua obra mais importante intitulada "O Arado" completou 60 anos de lançamento.  

Foto: Sandro Menezes
 

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